sexta-feira, 3 de outubro de 2008

11 dia. (Quinta 02/10) Humaitá/Manaus

Era seis da manha quando eu terminava de ajeitar a gasolina extra na bagagem para enfrentar a BR 319. Rodar nas primeiras horas da manha na floresta é um verdadeiro espetáculo. Um show de luzes cores e sons. Tudo causando um maravilhoso impacto visual. A estratégia do dia era rodar maior quilometragem possível e tentar atingir um pequeno vilarejo a uns 150 kms de Manaus. Lá procurar uma torre da Embratel que ficam a cada 50 kms, montar a barraca e dormir. Tudo tão simples e funcional. Rodando nos primeiros quilômetros da BR 319 se tem a clara sensação de que aqui o homem travou uma guerra com a natureza e conseguiu ganhar a primeira batalha construindo a estrada. Foi só isso. A partir daí lentamente a natureza foi ganhando cada batalha com o passar do tempo até acabar completamente com a estrada. Começou com o solo quebrando o asfalto, as árvores invadindo a estrada, a água levando as pontes e a chuva cavando buracos quase insuperáveis. Já passava das 18:00 horas, eu andando de moto há doze horas pra fazer menos de quinhentos quilômetros quando se instalou o caos pessoal. Estava extremamente cansado fisicamente, sem condições de conduzir a moto com segurança. Desgastado psicologicamente, não conseguia pensar em uma nova estratégia para sair daquele lugar e a minha frente tudo que eu enxergava era uma longa reta com uma seqüência interminável de buracos que o tempo todo faziam com que chapa do motor embaixo da moto batesse no chão. As dores nas costas e a câimbra se instalaram. Só pensava naquele momento que todos estavam certos, era impossível fazer o roteiro que eu escolhera sozinho. Todos estavam certos e eu errado e agora eu estava ferrado. A minha intenção de descansar na próxima torre foi derrubada quando a alguns quilômetros atrás uma grande cobra atravessou a estrada muito perto da torre, não tive nem força de parar para pegar a máquina e fotografar. Naquele momento já imaginei que não seria prudente dormir na torre. Mas o que fazer? A noite já vinha caindo e eu ali sem um plano apenas sentado no chão com as costas encostada na moto. Nesse exato momento começam cair alguns pingos que se transformam num tremendo aguaceiro. Minha única ação foi colocar o capacete e continuar ali sentado. Era a BR 319 fazendo sua vítima. Neste exato momento o que deveria ser um fator de desanimo acabou me esfriando a cabeça, naquele dia estava rodando com a temperatura em torno dos 38 graus. Acho que o que me faltava era uma ducha para esfriar a cabeça. Resolvi tocar lentamente até achar uma casa que começavam a aparecer e pedir para dormir no quintal na minha barraca. Alguns quilômetros à frente, já à noite, encontro um acampamento do Batalhão de Engenharia de Boa Vista que trabalha na recuperação da estrada. Ali encosto e sou levado ao comandante do Campo onde pergunto se posso colocar minha barraca ali ao lado e acampar até de manha. A pergunta é recebida com uma tremenda gargalhada. Antes que eu pulasse nele e fosse espancado ata perder o sentido, ele explicou: - Filho, não da pra dormir aqui fora não. É cheio de onça. Elas vêm rondar o acampamento à noite. Mas você pode ficar com a gente no alojamento. É tarde. O filho já jantou? Aquelas palavras me caíram como uma benção. Tirando a parte da onça é claro. Ali me acomodei jantei e conversamos muito com esse que também é o povo da floresta.

Em Roma faça como os Romanos
Meu alojamento

Pensei que fosse guaraná, estava errado.


Uma trilha na fazenda. Uma trilha de 530 kms com uma moto de 175 kgs mais bagagem.

Gasolina extra para enfrentar a BR 319, a rodovia fantasma

ainda bem que tem asfalto

´Cicatriz do cipó de fogo já cicatrizando. Obrigado D. Auxiliadora!

Mais uma para a seção: Pontes da Amazonia

Nao sabia mais o que fazer.
Aqui devia ter jacaré de barba.

Um corredor maravilhosamente interminável

Belíssimos trechos.

Essa era visao a minha a frente quando enfrentei o caos pessoal. a impossibilidade de admnistrar aquela situação.

O autentico menino do rio.

Povo ribeirinho.

A natureza tomando de volta o que lhe foi pego.
Em algumas horas se transforma na pior das trilhas.
Plantas maravilhosas e totalmente desconhecidas para nós do sul.

Quando olhei essa placa logo na saída parecia que seria apenas mais um dia andando de moto. Ledo engano.
Paisagens fantásticas nas primeiras horas da manha

7 comentários:

Ed Cotait disse...

Ahhh, Vantuir!
Como vc é mole!!
Só pq terminou a BR319, a rodovia da morte, vc está cansado???
Ahahahaahahah
Descansa bastante. Vc conseguiu!! Parabéns!

ramon disse...

Grande Vantuir primeira parte concluida,sorte na segunda e esperamosseu retorno.Grande abraço e grandes viagens.

eugenio disse...

Grande Vantuir!!!
Parabens!!
Essa sua viagem esta sendo barbara!!
Todo sofrimento e recompensado no termino da jornada,quando vc olha para tras e percebe o que voce acabou de enfrentar!!!!
Como disse o Ed,descanse bastante e curta o retorno!!!!
Abraços!!

DO POLO SUL AO POLO NORTE NUMA V STROM 1000 disse...

Amigo Vantuir, estou babando com tua viagem-aventura. Te acompanho nas fotos, nos relatos e no mapa.
Fiquei emocionado com o relato da lembrança de tua avó.
Parabens pelo lindo sentimento.....vc é igual a mim....duro por fora, mais mole de coração.
Que Deus sempre te proteja !!

DO POLO SUL AO POLO NORTE NUMA V STROM 1000 disse...

Procurando nos meus velhos arquivos, encontrei fotos de 1991, passando por Humaitá com a minha saudosa 750 Galo.
Por isso meu amigo, sei muito bem a façanha que vc hoje está fazendo....tiro meu chapêu para vc....Grande abraço

Murilo disse...

Já chegou no posto abandonado? Não esqueça de parar na casa do Sr. João e da Dona Moçinha mande um abraço pra eles.Uma casa de palha à margem direta cerca de 300 KM saindo de Humaitá. Nairo e Mário que por lá passaram em 11/05/2005

The Big Rider: born free,drive fast & die hard!!! disse...

Ae Vantuir!Num falei q era molezinha...?...hahahahah...
Se cuida aí na volta.
Abs
F.