quarta-feira, 1 de outubro de 2008

8 dia. Jacareacanga a Humaitá (30/09)

Barzinho bom pra se frequentar com esse nome
Indiozinhos.
Pontes da Trans
Todo fim de tarde na floresta amazônica acontece um espetáculo

O papagaio de D. Auxiliadora
D. Auxiliadora. Um anjo no meio da floresta

Nem tudo é flor na rodovia
Rodeio em Jacareacanga. 70% do público era índio.
O tão cobiçado ouro
Sorriso dourado. Garimpeiro.
Garimpo, serviço trabalhoso e imprevísivel
Geólogos estão em todos os cantos da Trans

Chegada a Jacareacanga


8 dia. Jacareacanga a Humaitá (30/09)

Ainda extasiado do dia anterior saio em direção a Humaitá com a missão de tirar os 200 kms atrasados do dia anterior mas também focado em conhecer um garimpo, missão que tinha tentado no dia anterior sem sucesso.
Saindo de Jacareacanga andei uns 60 kms e numa casa perto de uma ponte conforme referencia na cidade eu deveria pegar informações. Eis que ali onde eu ia pegar informações estava saindo uma camionete para o garimpo. Seguia e lá após as devidas permissões sai conhecendo o garimpo.
É fantástico e ao mesmo tempo assustador. O que é feito no solo é espantoso, parece que brotou alguma coisa de baixo da terra que veio revirando tudo. Nesta visita esperava tirar uma foto clássica do garimpeiro peneirando a água com aquela bacia (bateia) procurando ouro. Não é mais assim que eles garimpam. Hoje é usado um grande jato d’agua que vai revirando a terra e depois tudo é sugado e jogado numa grande peneira onde é feita a separação do minério. Muito trabalhoso e muito insalubre.
Eles tiram umas 100 gramas de ouro por semana. Destas 100 gramas 70 % é repassado aos donos das máquinas de garimpar. As 30 gramas que sobram é dividida entre os três garimpeiros a qual é vendida a R$ 45,00 a grama. Isso por semana.
Ali conheço a casa de um garimpeiro e quem me mostra é D. Auxiliadora, esposa de um garimpeiro. Ela sobrevivente de um câncer quando morava em Porto Velho, veio para Jacareacanga junto com o marido tentar a sorte no ouro.
-O que é isso no seu braço moço? Perguntando sobre um ferimento no meu braço obtido no dia anterior. Quando entrei na trilha cortei o braço em algo parecido com um baraço. À noite percebi que havia inchado e estava meio feio como se fosse um corte e uma queimadura juntos. O spray para ferimentos não estava surtindo muito efeito.
-É um corte em espinho eu acho. Respondi.
-Não. Isso é cipó de fogo. E se não tratar pode incomodar o moço.
Nisso ela pegou um pedaço de bolo pra mim e trouxe uma garrafada a qual começou a lavar o ferimento e tratá-lo enquanto eu comia o bolo.
Neste momento tenho um enorme dejavu. Aquela cena já havia acontecido.
Era assim que minha avó Elza, que faleceu durante o planejamento da viagem, nos tratava quando éramos pequenos e nos machucávamos. Dava alguma coisa pra gente comer e tratava nossos ferimentos derivados de nossas “artes” enquanto a gente se distraia. Naquele momento ali no meio da floresta amazônica eu precisava de cuidados. Minha avó, que não está mais entre nós, deu um jeito de mandar alguém pra cuidar de mim.
Dona Auxiliadora percebendo meus olhos úmidos falou:
-Isso não arde não.
-Não arde na pele D. Auxiliadora. Não arde na pele.
Ela com a sutileza de uma enviada que tinha uma missão, continuou o tratamento com um ar de quem entendia o meu momento de dor.






2 comentários:

Ed Cotait disse...

Terá sido coincidência??
Acredito que não...

Terezinha disse...

Nosso carro(Veraneio) foi um dos primeiros a conseguir autorização p adentrar na região, chegamos juntos com o desmatamento e abertura da estrada de Itaituba até Jacareacanga.Lá fixamos residencia por 8 anos matando Piuns Borraxudos meruins, que insistiam em nos picar.Tive malária quatro vezes durante a primeira e segunda gestação. Mas
valeu pela experiência, eu tinha
apenas dezesseis anos ao chegar lá.
Meu primeiro filho hj está com 37 anos de idade.